Vicentina Aranhapreservado

 

Em 27 de abril de 1924 foi inaugurado em São José dos Campos o Sanatório Vicentina Aranha pela Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Ele foi o primeiro sanatório da cidade e um dos primeiros do país, sendo um dos maiores centros para tratamento de tuberculose na America Latina.

Mapa

Mapa do Parque Vicentina Aranha

Idealização

Dona Vicentina de Queirós Aranha

O nome do sanatório foi dado em homenagem a Sra. Vicentina de Queirós Aranha, esposa do Senador Olavo Egydio, membro da irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Ela foi uma dama da sociedade paulistana, que lutou pela obtenção de um local para a construção de um sanatório para o tratamento de portadores de tuberculose pulmonar, doença conhecida como “peste cinzenta”, que no início do século XX se alastrava por todo o Brasil.

Vicentina Aranha organizou uma campanha que mobilizou toda a sociedade de São Paulo. Como resultado, o governo selecionou uma vasta área e deu continuidade à campanha para a construção do Sanatório São José dos Campos. Infelizmente em 1916, ela veio a falecer e não pode ver o seu sonho concretizado. Por isso, o nome do sanatório foi mudado em sua homenagem para Sanatório Vicentina Aranha.

 

Construção

Em 1918, iniciou-se as obras para a construção do sanatório, tendo o projeto arquitetônico creditado a Francisco de Paula Ramos de Azevedo, um dos arquitetos mais importantes do Brasil.

Construção do Sanatório Vicentina Aranha

1918

 

Inauguração

O projeto foi terminado e inaugurado em 1924, erguido em um terreno de 488 mil metros quadrados, com 11 mil m² de área construída, sendo um dos maiores projetos para sanatório já elaborados no país, incorporando traços da arquitetura europeia e americana, era considerado um verdadeiro hotel pelo nível de conforto, com o melhor tratamento que se podia dar aos pacientes, segundo Felipe Ferri de Abreu e Silva, arquiteto da Ajfac (Associação Joseense para o Fomento da Arte e da Cultura) .

Inauguração do Sanatório Vicentina Aranha

1924

Um dos pontos importantes do sanatório era que ele tinha sido destinado não apenas ao público rico, mas também para a população mais pobres, pois a Santa Casa não tinha onde colocar mais os tuberculosos na capital e por isso foi escolhido o clima aprazível de São José dos Campos, seco e ameno, com o município a 600 metros de altitude, sendo características ideais para tratamento de doenças pulmonares, onde só perdia para a cidade de Campos do Jordão.

 

Pavilhão Central

O Pavilhão Central tem três andares,  abrigava a “nata” dos pacientes do sanatório, aqueles que podiam pagar pelo tratamento. O terceiro andar oferecia quartos com banheiro e varanda privativos. A estadia era dividida em três categorias: ouro (1,5 conto de réis), prata (1 conto de réis) e bronze (500 mil réis), aproximadamente R$ 15 mil, R$ 10 mil e R$ 5 mil por mês.

Porém, o hospital também atendida pacientes carentes, em alas separadas dos pensionistas, que bancavam toda a estrutura com a mensalidade. Segundo David Albuquerque, historiador do Parque: “Todos tinham o mesmo tratamento, considerado de ponta no país. Basicamente, consistia de máximo isolamento, descanso absoluto, boa alimentação e muita circulação de ar”.

 

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: 1928
– Dimensão: 3775.35 m²

 

Pavilhão Alfredo Galvão

Inaugurado em 27 de abril de 1924, conhecido como Pavilhão Pequeno era destinado ao tratamento em regime de isolamento de homens pensionistas. Era o menor espaço de internação de pacientes do complexo sanatorial e passou por poucas reformas ao longo de sua história. Sua arquitetura teve como partido a máxima insolação e a constante circulação de ar, condições consideradas determinantes na eficácia do tratamento da tuberculose.

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: 1928
– Dimensão: 181.30 m²

Pavilhão Marina Crespi

Inaugurado em 1924, era o pavilhão menor para mulheres pensionistas, que eram pacientes que podiam pagar pelo tratamento.

O nome do pavilhão foi dado a Marina Crespi que foi casada com Rodolfo Crespi, um importante industrial italiano. Ela foi conhecida por atividades beneficentes, como o auxílio financeiro à Escola Popular Nossa Senhora do Rosário, na capital.

 

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: 1928
– Dimensão: 403.62 m²

 

Pavilhão São João

Inaugurado em 1924, era conhecido como Pavilhão Grande par Homens Indígenas, pois foi destinado aos homens que não tinham condições de pagar pelo tratamento. A edificação era dividida em enfermarias, quartos para isolamento, vestiário, copa, rouparia, sala de trabalho, refeitório, salão e salas de curativos.

O regime de isolamento proposto pelo Sanatório, não era totalmente aceito pelos internos, por isso alguns pacientes fugiam em ocasiões de festas nas ruas e clubes da cidade, como o Carnaval. Ao retornarem ao Sanatório, muitos estavam em péssimas condições, tendo seu quadro infecioso agravado, tinham que regredir ao tratamento, permanecendo ainda mais tempo sob o regime de isolamento.

 

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: 1928
– Dimensão: 998.93 m²

Pavilhão São José

Construído em 1924, era conhecido como Pavilhão Grande para Mulheres Indígenas. Este tem o mesmo desenho arquitetônico do Pavilhão São João que, até as ampliações da década de 1930, tinham a metade das suas atuais dimensões. Ambos pavilhões eram lugares para todos os doentes que não tinham meios para pagar por seu tratamento, sendo este custeado pela Santa Casa de Misericórdia de São Paulo.

 

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: 1928
– Dimensão: 1178.62 m²

 

Pavilhão Companhia Paulista

Inaugurado em 1932, a partir de uma parceria entre a Companhia Paulista de Estradas de Ferro e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo, o Pavilhão era o local de tratamento dos funcionários da empresa ferroviária. Caberia à Companhia Paulista de estradas de ferro a manutenção do prédio e os gastos com os enfermos.

 

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: 1928
– Dimensão: 827.58 m²

 

Antigo Laboratório e Lavanderia

Em 1934, foi inaugurado neste prédio o Laboratório e a Lavanderia do Sanatório.

O Laboratório realizava os exames para verificar as condições de saúde dos doentes e, também, as pesquisas para o aperfeiçoamento no tratamento da tuberculose.

Vicentina Aranha - Lavanderia

A Lavanderia fazia a lavagem, desinfecção e lixiviação (processo em que se utiliza uma solução alcalina, a partir de cinzas dissolvidas em água, muito eficaz na esterilização de objetos) dos itens (roupas pessoais, roupas de cama, toalhas e cobertores) de funcionários e pacientes do Sanatório.

 

Embora todos os itens passassem pelo mesmo processo de assepsia (limpeza), os pertences dos pacientes, em especial, eram higienizados separadamente. Além da lavagem desses materiais, havia também a esterilização das escarradeiras particulares. Esses pequenos recipientes de metal eram usados pelos pacientes para que esses não escarrassem no chão, evitando assim a contaminação das vidas de circulação do Sanatório.

 

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: 1934
– Dimensão do Laboratório: 167.80 m²
– Dimensão da Lavanderia: 520.45 m²

 

Capela Coração de Jesus

Em estilo neorromânico, a Capela do Sagrado Coração de Jesus foi inaugurada em 1935, construída principalmente por donativos do Conde de Lara (Tietê, 1864 – São Paulo, década de 1930). O conde era cafeicultor, empresário do ramo imobiliário e um dos principais acionistas da companhia Antarctica Paulista de Bebidas. Ele financiava os projetos da Santa Casa de Misericórdia, além de patrocinar edificações católicas, instituições de saúde e atividades católicas, instituições de saúde e atividades artísticas da cidade de São Paulo.

As procissões em São José dos Campos, realizadas em dias santos, passavam pela capela. Esses cortejos, no entanto, não tinham a presença de doentes, mas somente funcionários do sanatório e moradores da cidade.

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: 1935
– Dimensão: 339.71 m²

 

Gruta de N. Sra de Lourdes

Construída em 1938, faz alusão as aparições de Nossa Senhora em uma cidade do sudeste francês, chamada Lourdes.

Na história, a menina Bernadete Soubirous da cidade de Lourdes, quando tinha 14 anos, declarou ter testemunhado 18 aparições de Nossa Senhora da Imaculada Conceição na gruta de Massabielle em 1958. A fama das aparições encheu toda a França e se estendeu aos países vizinhos.

Varias grutas foram construídas no Brasil em homenagem à Nossa Senhora, como as de Guaratinguetá e Itanhaém. Em outros locais, imagens da santa foram colocadas em grutas naturais, como em Guaratuba e Ribeirão Pequeno.

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: 1938
– Dimensão: 34.60 m²

 

Antigo Necrotério

O necrotério  ficava afastado de todos os pavilhões. Apesar de abandonado, a sua estrutura ainda pode ser visto pela Av. Nove de Julho.

Informações sobre esta edificação:
– Inauguração: Década de 1930
– Dimensão: 56.44 m²

 

Segunda Fase: Hospital Geriátrico

Vicentina Aranha - Hospital Geriátrico

Em 1982 o Sanatório Vicentina Aranha recebeu o último paciente de tuberculose e logo após encerrou suas atividades como sanatório para o tratamento de doentes com tuberculose.

Assim, parte das instalações foi cedida para o antigo INAMPS – Instituto Nacional de Assistência Médica da Previdência Social, que funcionou no local até abril de 1990. Com reformas em alguns setores que começaram em 1993, a partir de então, além de sediar a AAFLAP – Associação de Apoio do Fissurado Lábio Palatal – manteve atividades médicas voltadas para o tratamento de doentes crônicos e idosos como Hospital Geriatrico , além do Centro de Atividades para a Terceira Idade.

 

Terceira Fase: Parque Vicentina Aranha

Parque Vicentina Aranha - Fonte http://dm4brasil.com

Com uma área atual de aproximadamente 84.500 m², o Vicentina Aranha foi tombado pelo CONDEPHAAT – Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico – em janeiro de 2001, tornando-se patrimônio do estado. Posteriormente, em 2004, a Irmandade da Santa Casa de Misericórdia encerrou as suas atividades. Atendendo ao desejo da população de ver o Vicentina Aranha preservado, em 2006 a Prefeitura de São José dos Campos comprou a propriedade e o reabriu, no ano seguinte, como Parque Cultural Vicentina Aranha, tornando-o novamente um sinônimo de qualidade de vida.

Hoje em dia os pavilhões do Parque Vicentina Aranha passa-se por reformas e conta com a colaboração de todos para que todo o espaço possa ser reutilizados. Mas a maioria dos lugares estão preservados, assim como todas as árvores do bosque, no qual contém algumas espécies raras  centenárias como: Mogno, Peroba Rosa, Jequitibá, Jacarandá da Bahia, Gonçalo Alves, Pau Mulato, Jatobá, Brauna Preta, Araribá, Guarantã, Cabreuba Vermelha, Louro Pardo e outros.

 

Galeria de Fotos:

 

Informações Gerais de todo o Parque Vicentina Aranha:
– Estado Atual: Preservado e passando por reformas. Tombado pela lei municipal n.º 4.928/96 através do CONDEPHAAT
– Construção: 1918
– Inauguração: 1924
– Projetistas: Francisco de Paula Ramos de Azevedo (arquiteto) e Arnaldo Vieira de Carvalho (engenheiro civil)
– Dimensão Total: 84.500 m²
– Localização:

 

Referências:

http://www2.guiasjc.com.br/nossa-cidade/parque-vicentina-aranha-passado-e-presente/
http://www.pqvicentinaaranha.org.br/novo/o-parque
http://www.pqvicentinaaranha.org.br/novo/timeline
http://vicentina90.ovale.com.br/
https://www.flickr.com/groups/vicentinaaranha/

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