A Antiga Boate da Praça

As boates eram locais destinadas para shows, músicas, bebidas e danças, eram também conhecidas como cabarés. No passado, era muito comum de ter estes cabarés próximos aos hotéis no final do século XIX e início do século XX, ou seja entre 1850 e 1930. Em Poços de Caldas, um dos cabarés mais conhecidos era o Cassino Gibimba, que ficava ao lado do Hotel D’Oeste.

Mas muitas vezes, além de funcionar como boates, alguns lugares também eram bordeis, ou seja, locais de prostituição. E este era o caso de outra casa que ficava ao lado do hotel.

Vista da praça em 1900

Segundo o historiador Roberto Tereziano: “Como a cidade dos jogos e cassinos era também cheia de garotas de programa e campo fértil para a prostituição, existiam, mesmo na área central, vários locais de tolerância, que corrompiam delegados e funcionavam sem serem incomodadas pela força policial. Os moradores mais antigos se lembram que em plena Praça Pedro Sanches havia a Pensão dos Franceses, onde hoje é uma cristaleira, que era explorada por um casal e as meninas ficavam com pouca roupa na calçada em busca de parceiros.” – Fonte Poços Com

Era uma situação comum diante a uma cidade de cassinos, pois muitos turistas e até pessoas famosas vinham de outras cidades para se divertir aqui nos cassinos e com as mulheres nestes bordeis, depois passavam as noites nos hotéis. Tudo era planejado na cidade para este objetivo, por isso, tudo era próximo um do outro.

O cabaré na praça nos anos 30

Esta situação apenas foi mudando depois dos cassinos terem sidos proibidos em 1946 pelo presidente Eurico Gaspar Dutra. Assim, depois disso, os lugares de cassinos começaram a serem usados por outros objetivos ou foram demolidos. Já as casas de prostituição, existiram ainda em outros lugares mais afastados, não mais em lugares públicos, isso até serem proibidos em 2009 pelo art. 229 do Código Penal Brasileiro, que considera crime quem por conta própria ou de terceiro, faça a manutenção de uma casa de prostituição no Brasil.

A partir daí, nesta próxima foto podemos ver que o local acabou funcionando como um espaço comercial, tendo ali um hotel e um salão vendendo produtos de perfumaria e trigos finos.

Espaço comercial na praça nos anos 30-40

Nos anos 50 e 60, o lugar passou a funcionar como a bar Caiçara, sob-direção de Wilson Dias Semin e D. Clair. Era uma época em que tivemos até vários artistas famosos que passavam pela cidade, como Sérgio Mendes, Gracinha Leporace, Miltinho e o pianista João Viviani.

Depois disso, no final da década de 60, Wilson passou o bar para Yara Miranda Laércio Brito,  irmã de Cauby C. Miranda, que fez do local o salão Bachianinha, nome em homenagem ao grande Heitor Villa Lobos, compositor da obra musical “As Bachianas”. Assim o local virou um centro cultural e musical.

Já a partir dos anos 80, a casa começou a funcionar como a Cristaleria São Marcos, de Antônio Carlos e Paulo Molinari, que continua até hoje em dia vendendo luxuosas artes em vidro na praça.

Cristaleria durante carnaval dos anos 70-80

Cristaleria São Marcos em 2018

Cristaleria São Marcos em 2018

Atenção: Este artigo é fruto de um trabalho voluntário feito em base das pesquisas do autor, o qual ele faz por conta própria por amor a cidade e para ajudar a população a conhecer a sua história. Mas para trazermos o melhor conteúdo, precisamos da ajuda de todos com informações ou correções. Por isso se você quiser contribuir, por favor comente abaixo ou envie um email para nos ajudar a Resgatar Poços de Caldas!

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